A Maioria dos Professores de Ciências Começou Como Alunos de Ciências? A Jornada de Três Educadores

Descubra a trajetória inspiradora de três professores de ciências e como suas experiências como alunos moldam suas salas de aula hoje.

Para muitos educadores, a paixão pelas ciências nasce ainda nos bancos escolares. Mas será que a maioria dos professores de ciências começou como alunos de ciências? Para três alunos de mestrado do Programa de Ensino e Liderança Docente (TTL) que lecionam ciências este ano em escolas locais, a resposta curta é: na maioria das vezes, sim.

No entanto, a resposta longa revela histórias únicas de descoberta, identidade e propósito. Este artigo explora as jornadas de D’ara Campbell, Uzma Issa e Fahim Ahmed, mostrando como eles se tornaram educadores científicos inspiradores e como estão trabalhando para que todos os seus alunos se sintam capazes na ciência.

D’ara Campbell: Da Curiosidade à Celebração da Dúvida

Para D’ara Campbell, a relação com a ciência não foi imediata. Ela nunca se viu como uma aluna de ciências quando criança, mas descobriu que era nas aulas de ciências que ela aprendia melhor.

“Eu era uma criança que levava todas as minhas perguntas, confusões e ideias para a aula de ciências”, diz ela. “A ciência se tornou a sala de aula onde minha curiosidade e minhas dúvidas eram celebradas, e foi isso que me fez amar aquele espaço.”

É também por isso que, quando chegou a hora de começar o estágio de docência, ela decidiu trabalhar na Darby Vassal Upper School em Cambridge como professora de ciências gerais para alunos do sétimo ano.

“Escolhi lecionar ciências por causa da forma como elas estão intrinsecamente ligadas a tudo o que fazemos e a tudo o que somos”, explica Campbell. “Embora seja importante ter uma boa formação em todas as áreas, com as mudanças climáticas, as questões do racismo ambiental e muitas outras, é ainda mais fundamental que todos tenham conhecimento científico.”

Uzma Issa: Das Férias no Museu à Sala de Aula de Robótica

Uzma Issa é professora de robótica para alunos do oitavo ano na Boston Collegiate Charter School, em Boston. Sua paixão vem de cedo: ela se lembra de muitas viagens com seus pais a museus de ciências, incluindo seu favorito, um centro em Birmingham, Alabama, onde cresceu.

“Participei de muitos acampamentos de verão lá e adorava correr pelo museu de ciências interativo”, conta. No ensino médio, ela foi voluntária no centro, realizando atividades científicas com os visitantes. “Eu também acompanhava meu pai quando ele assistia a documentários sobre animais em casa. Adorava feiras de ciências, e ciências e matemática sempre foram minhas matérias favoritas.”

Fahim Ahmed: Do Sonho da Medicina à Paixão pelo Ensino de Química

Com Fahim Ahmed não foi diferente. “Eu sempre fui um aluno de ciências!”, diz ele. Atualmente, professor de química avançada e básica para alunos do Ensino Médio na Boston Latin School, ele se lembra de ter amado tanto matemática e ciências quando criança que se candidatou à Universidade de Harvard com o objetivo de estudar neurociência.

Durante seus três primeiros anos, ele cursou pré-medicina, querendo se especializar em psiquiatria da adolescência. Mas então — e isso vale também para Campbell e Issa — surgiu aquela vozinha que dizia: e quanto ao ensino?

Para Ahmed, a revelação veio depois de ter sido assistente de curso e professor assistente em Harvard. “Percebi, perto do final do meu terceiro ano de faculdade, que o tipo de apoio que eu queria oferecer aos adolescentes era, na verdade, semelhante ao que eu sentia que conseguia oferecer como educador.”

O Chamado para a Sala de Aula: Um Ponto de Virada em Comum

As três trajetórias convergem no momento da decisão por lecionar.

D’ara Campbell vem de uma linhagem de professores – mãe e avó – e sempre soube que queria trabalhar com crianças. No entanto, foi durante a graduação na Universidade Howard, ao dar aulas para alunos do ensino fundamental em Boston, que ela teve certeza.

“Percebi que estar em sala de aula e trabalhar diretamente com os alunos pode ser transformador para ambos os lados”, reflete. “As conversas que tive, as risadas e lágrimas que compartilhamos, e a infinidade de coisas que aprendi ensinando são insubstituíveis.”

Uzma Issa, após explorar a medicina e outras carreiras, teve seu momento de clareza durante um intercâmbio no Quênia. Uma conversa com o diretor do programa a fez considerar o ensino. “Percebi que poderia me tornar professora depois da graduação, porque a educação é algo pelo qual sempre fui apaixonada.” Dois meses depois, ela se candidatou ao Programa TTL da Harvard Graduate School of Education.

Na Prática: Como Eles Estão Formando a Próxima Geração de Cientistas

Agora, em sala de aula, Campbell, Ahmed e Issa empregam estratégias para garantir que todos os alunos se sintam capazes em ciências.

Na aula de robótica, Issa lida com diferentes níveis de conhecimento em programação. “Eu os guio passo a passo, fazendo perguntas básicas para ajudá-los a decompor o resultado final desejado… Isso os ajuda a pensar na programação de uma forma menos intimidante.”

Já Fahim Ahmed, na Boston Latin, aborda a autoimagem negativa em ciências de frente. “Tentamos conversar sobre o que funcionou e o que não funcionou no passado… Talvez biologia não fosse a sua praia… Isso não significa que química tenha que ser uma experiência ruim.”

D’ara Campbell usa sua própria história como ferramenta. “Como professora negra lecionando para alunos negros, uma das minhas principais plataformas é defender que todos os meus alunos se vejam como cientistas… faço questão de deixar claro para meus alunos que minhas dificuldades não me impediram.”

Ela adotou um lema de seu curso na Harvard: “abrace os erros”. “Constantemente lembro meus alunos de que não há problema em fazer uma pergunta, dar uma resposta errada ou simplesmente não saber. Nosso espaço será sempre um espaço de aprendizado para o qual todos contribuem.”

Conclusão: A Ciência é Para Todos

As histórias de D’ara Campbell, Uzma Issa e Fahim Ahmed mostram que os caminhos para se tornar um professor de ciências são diversos. Eles demonstram que, mais importante do que sempre ter sido o “melhor aluno”, é ter desenvolvido uma paixão pelo aprendizado e um compromisso com a inclusão.

Eles não estão apenas ensinando conteúdos; estão construindo identidades científicas e provando, todos os dias, que a ciência é um espaço para curiosidade, colaboração e, acima de tudo, para todos.

Este conteúdo foi desenvolvido para inspirar futuros educadores e destacar a importância do ensino de ciências. Para mais artigos sobre educaçãoformação de professores e metodologias de ensino, continue explorando o site Zoteck.